Sociedade Dante Alighieri

A Società Dante Alighieri foi fundada em 1902 por imigrantes italianos, constando como seus fundadores Vicente Pellicano, Giovannangelo Appratti, Giuseppe Marchesoni, Enrico Gregori e Cid Agostinho. Já em 1905, a Dante Alighieri iniciou uma campanha para construir sua sede, inaugurada em 15 de setembro de 1908. O edifício foi construído por Giuliano Parolo, e sua construção deve ser entendida como um empreendimento coletivo da elite italiana de São Carlos, reunida nesta associação, e viabilizada a partir de doações desta comunidade, com o fornecimento de materiais e participação de diversos profissionais que a compunham, com a prestação de serviços, como foi o caso de Ruggiero Mastrofrancisco e Abel Giongo, proprietários de empresas locais ligadas à construção civil. A obra então demonstra a presença marcante dos imigrantes italianos no setor e o destaque que alcançaram na cidade.
A sociedade funcionou como centro cultural e escola para os filhos de imigrantes italianos. Além das matérias curriculares normais, os alunos tiveram atividades como teatro, festas, danças e jogos. Vários profissionais reconhecidos na sociedade são-carlense se formaram na escola da Dante Alighieri – o Almanack de 1928 cita que a escola tinha 200 alunos em cinco salas. Durante a ditadura do Estado Novo, de 1937 a 1945, as associações culturais de imigrantes começaram a ser vistas como espaços de ameaça ao governo, pois temia-se o crescimento do comunismo no país e havia o pressuposto de que essas associações se transformariam em “quistos raciais”. Por conta disso, muitas associações foram nacionalizadas ou extintas durante esse período.
Somente em 1950 o prédio da Società Dante Alighieri foi devolvido à colônia italiana são-carlense, porém, suas atividades não foram mais normalizadas, e o prédio acabou cedido à Escola de Engenharia de São Carlos, criada pela Universidade de São Paulo (USP), que o adquiriu posteriormente para a instalação do Centro de Divulgação Científica e Cultural.
Outras Informações
Caracterizado pelo estilo eclético com influência classicizante, o edifício passou por diversas reformas ao longo do tempo, ganhando um aspecto mais sóbrio em relação ao seu projeto original, principalmente devido à construção de um novo pavimento e à substituição do antigo frontão por uma platibanda que coroa o edifício.
Em 1895, o prédio foi adquirido pela Universidade de São Paulo, e, atualmente, abriga o Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da universidade.
O CDCC tem como objetivo estabelecer um vínculo entre a universidade e a comunidade, facilitando o acesso da população aos meios e aos resultados da produção científica e cultural da universidade. Para isso, ele promove e orienta atividades a fim de despertar na população o interesse pela ciência e pela cultura, além de colaborar na formação dos estudantes de Licenciatura em Ciências Exatas, do Campus da USP de São Carlos, repassando a eles a experiência que surge da execução de seus projetos. Além disso, lá são ofertados cursos e orientação específica para professores do ensino fundamental, nas áreas de química, física, matemática, biologia, educação ambiental e astronomia.
O local fica aberto à visitação pública e a grupos escolares com agendamento prévio. Os locais de visitação incluem dois jardins temáticos: “Jardim da Percepção” (edifício-sede) e “Jardim do Céu na Terra” (Área I do Campus da USP de São Carlos), o Espaço de Física e o Observatório.
Além das visitas aos espaços expositivos permanentes, o CDCC mantém um programa de visitas monitoradas a campo para a Trilha da Natureza (na UFSCar), ao Aterro Sanitário Municipal de São Carlos e ao Quintal Agroecológico do CDCC. Destacam-se ainda como outras formas de atendimento ao público o empréstimo de kits da Experimentoteca, a Biblioteca, o Cineclube e a sala de acesso à Internet.
O edifício encontra-se em bom estado de conservação e é tombado desde 2019 pela instância estadual.
Documentos Correlatos
Não identificados
Referências
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